
IPPES no 6º Congresso da ABEPS
O Instituto de Pesquisa, Prevenção e Estudos em Suicídio (IPPES) parti...
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Nos dias 02 e 03, aconteceu o Seminário de Encerramento do Curso de Especialização em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (CESTEH/EAD), na Fiocruz.
Na mesa de abertura, estiveram presentes o diretor da área de saúde ENSP, Hermano Albuquerque de Castro, o Subsecretário de Educação e Valorização Profissional, Jonas Gomes da Silva, o coordenador de ensino do CESTEH, a coordenadora do CESTEH, Rita Mattos e a orientadora de aprendizagem ENSP/Fiocruz, Eliane Napoleão.

No primeiro dia, o Seminário contou com a participação da pesquisadora e orientadora pelo Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves), Maria Cecília Minayo, que apresentou a pesquisa “A valorização do profissional policial”. Sua pesquisa revelou que 75% dos entrevistados da Polícia Civil e da Polícia Militar seguiriam na mesma carreira caso pudessem fazer uma nova escolha, porém 25% sentem-se desvalorizados. Esse número equivale a, aproximadamente, sessenta mil profissionais.
Entre as principais queixas estão a falta de dignidade, segurança, reconhecimento, valorização e perspectiva promissora na carreira. A pesquisadora apresentou propostas de mudança de gestão e implementação de canais de escuta aos policiais. Também evidenciou a necessidade de reconhecimento e valorização dos policiais de boa conduta.
Os alunos do Curso de Especialização em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, que são profissionais de segurança pública da Polícia Militar e Polícia Civil, apresentaram seus trabalhos sobre o armamento na PMERJ, os transtornos do sono-vigília e o estresse ocupacional da corporação.

No segundo dia, Dayse Miranda, coordenadora do GEPeSP, apresentou o trabalho “O comportamento suicida entre profissionais de segurança da Polícia Militar no Brasil” que pretende discutir as dimensões das ocorrências de suicídio entre policiais militares no Brasil, através da análise de fatores estressantes em comparação aos demais profissionais da área de segurança.
Na amostra pesquisada, os casos de tentativa declarados foram em sua maioria cometidos por arma de fogo (40,5%). As mulheres pensaram (20,3%) e tentaram mais o suicídio (6,3%) do que os homens (17,7% e 3,3%), proporcionalmente. Policiais militares que comunicaram tentativa de suicídio em algum momento da vida tendem a se concentrar, sobretudo, na faixa dos 35 a 49 anos (61,4%). Entre os praças, há um aumento relativo de declarações de pensamentos suicidas e tentativa de suicídio em comparação aos soldados, cabos e sargentos (grupo controle). A maior parte dos entrevistados vivenciaram essas experiências nos últimos 10 anos (Ideação: 80,7% – Tentativa: 71,4%).
A falta de apoio é outro fator preocupante, pois quase 50% dos policiais que tentaram suicídio não contaram com ninguém para evitar uma nova tentativa.
A pesquisadora aponta que para reverter esse quadro, medidas protetivas devem ser tomadas. A satisfação profissional precisa ser garantida pela instituição policial. Atualmente, muitos profissionais estão expostos a situações de risco de vitimização direta (letal e não letal) e indireta (letal e não letal). À nível pessoal, a polícia enfrenta problemas relacionais. Muitos policiais sentem-se isolados. O clima de desconfiança é alto e sempre presente. A regularidade de contatos de amizade dentro da Polícia protege o profissional de ter pensamentos e tentar violência contra sua própria vida, diz Dayse.

Lidiane Pereira Raposo de Menezes, psicóloga e pesquisadora do Gepesp, apresentou o trabalho “Suicídio e Ocupação: análise das publicações no Brasil”, onde aponta quais instituições de ensino e pesquisa abordaram os temas no período de 1980 a 2014, além de identificar quais revistas científicas publicaram o tema no período e investigar como os temas suicídio e ocupação e suicídio policial são abordados pela literatura pesquisada.
Os resultados da pesquisa revelaram que os danos à saúde mental do policial estão relacionados à precarização do trabalho. Equipamentos e instrumentos inadequados, falta de capacitação profissional, estrutura burocrática da instituição, carga excessiva de trabalho, dificuldade na comunicação interna e no relacionamento interpessoal entre chefes e subordinados, medidas punitivas arbitrárias e falta de valorização (frustração e sentimento de injustiça), além do frequente contato hostil com o público e problemas familiares, foram alguns dos fatores de adoecimento citados.
Também esteve presente o Coronel Íbis Silva Pereira apresentando os dados de sua pesquisa, baseada em sua experiência na PMERJ. A cada dez minutos um policial é morto no país, aponta o Coronel Ibis.
A pesquisa critica a guerra às drogas por sua evidente ineficácia e contribuição para o ambiente de guerra em que a cidade do Rio de Janeiro vive.
Segundo o autor, o pensamento atual incita a “rasgar a Constituição em nome da Constituição, violar a lei em nome da lei”. Precisamos tomar posições, tomar partidos, para que o país saia da condição precária em que está, diz o Coronel Ibis.
Os alunos do CETEH apresentaram seus trabalhos sobre os seguintes temas: o Serviço de Atenção à Saúde do Policial Militar no estado do Rio de Janeiro (SASP), os riscos das atividades do Policial Militar no Rio de Janeiro, os riscos que os policiais que trabalham com perícia correm, Síndrome da Disfunção da Articulação Temporo-Mandibular e os principais acidentes biológicos com materiais cortantes em profissionais de e os efeitos do ruído do tiro na saúde auditiva dos policiais atenção à saúde do Policial Civil.

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