O objetivo do artigo é analisar a ocorrência de pensamentos suicidas em pacientes de um ambulatório de transgêneros no Distrito Federal, assim como as variáveis relacionadas a esses eventos. Os pesquisadores realizaram um estudo epidemiológico de corte transversal, construído a partir de uma revisão dos prontuários dos paciências atendidos no ambulatório do Hospital Dia, entre agosto de 2017 e setembro de 2018. A pesquisa revelou que, em média, 73,7% dos participantes possuíam pensamentos suicidas em algum momento da vida e 29,9% haviam tentado de fato pelo menos uma vez. Cerca de 26,8% já teriam tentado automutilação/autoagressão, com predomínio de três ou mais episódios. Além disso, a maioria dos pacientes apresentava sofrimento relacionado ao próprio corpo (84%), 67% disseram que a vida valia a pena e 94,4% alegaram interesse em apoio especializado para superação de suas dificuldades/problemas. Os pesquisadores também notaram que as faixas etárias mais jovens estão mais associadas ao quadro e o sexo de nascimento feminino (80,5%) apresentou maiores taxas de ideação que o sexo oposto. No que diz respeito à cor/raça, os negros (83,3%) e indígenas (100%) são os que mais desenvolveram pensamentos suicidas. Por fim, o fato de a família desaprovar ou desconhecer a orientação sexual dos indivíduos mostrou que, em ambos os casos, a frequência de ideação suicida pode atingir aproximadamente 90%. Em suma, a pesquisa chama atenção para o fato de que a população transgênero é acometida por vulnerabilidades de ordens tanto individuais quanto sociais, e devem ser foco de políticas públicas.