IPPES CRIA REDE DE ATENDIMENTO PSICOTERAPÊUTICO ESPECIALIZADO EM MANEJO DO COMPORTAMENTO SUICIDA

Por Caio Brasil,
Jornalista e pesquisador.


No dia Nacional da Saúde, 5 de agosto, o IPPES lançou a Rede EQUIPPES de Saúde Mental. A iniciativa oferece atendimento psicológico e psiquiátrico online e presencial a preço social, reunindo nacionalmente profissionais de saúde mental especializados no manejo do comportamento suicida, rigorosamente selecionados e credenciados pelo Instituto. A Rede surge como mais uma estratégia voltada à prevenção e valorização da vida, sendo conduzida pela Coordenação de Saúde Mental do IPPES, liderada pelas psicólogas Alexandra Vicente e Fátima Cristina Monteiro dos Santos.

A princípio, para ter acesso ao serviço as pessoas devem preencher o formulário online que está disponível clicando aqui. A Rede Equippes fará triagem e encaminhará ao profissional credenciado.

Especialista em gestão de risco e desastres, a psicóloga Fátima Cristina Monteiro dos Santos é a responsável pela organização da Rede.  Segundo ela, “não basta ser psicólogo, tem que entender esse sentimento específico e saber fazer o manejo da ideação suicida”.

“Durante a pandemia, o IPPES se organizou para oferecer um serviço de acolhimento psicossocial. A partir daí, vimos a necessidade crescente de ter um grupo de psicólogos com conhecimento para lidar com essa população e fui identificando pessoas que poderiam compor essa rede. Não só pelo conhecimento, mas pelo perfil e comprometimento de estar sempre estudando a temática”, explica Fátima Cristina Monteiro dos Santos.

Rede EQUIPPES DE SAÚDE MENTAL

 

A estudante de psicologia Rosângela Manhães é a estagiária responsável por receber e encaminhar as solicitações via formulário. Sobrevivente enlutada pelo suicídio e integrante do Grupo de Estudos, Pesquisa e Ações de Intervenção em Desastres e Comportamento Suicida do IPPES, ela explica que “a pandemia fez a temática da saúde mental ter destaque. Nesse cenário, a Rede é um trabalho de expansão das ações do Instituto muito importante. Cada lugar do Brasil terá profissionais credenciados para dar suporte às pessoas que apresentam ideação suicida”.

A cerimônia de lançamento ocorreu na sede do Instituto, em São Cristóvão, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, reunindo simultaneamente dezenas de pessoas de forma presencial e online. Além das Coordenadoras de Saúde Mental, a mesa de lançamento contou com a presença da socióloga e presidente do IPPES, Dayse Miranda, e da psiquiatra da Rede, Esther Gonzaga Spiler.

Para Dayse Miranda, “vivemos um momento muito difícil e que exige de nós um investimento na Saúde Mental. Mesmo antes da pandemia, o Brasil já apresentava uma defasagem muito grande na oferta de serviços de atendimento psicossocial”.

“Nos últimos 20 anos, vimos um aumento de mais de 40% na taxa de suicídio. Além disso, o Brasil é campeão nas taxas de ansiedade e o número de pessoas em depressão vem aumentando. A pandemia consolidou esse tema na agenda do debate público, mas ele não entrou nas discussões do poder público. Por isso o acesso aos serviços de saúde mental continua muito limitado. Psiquiatras e psicólogos ainda são itens de luxo para a classe média”, comenta a socióloga.

A psiquiatra Esther Gonzaga Spiler alerta para a importância de existir uma rede que oferece serviço de atendimento psicoterapêutico a preço social no Brasil. A psiquiatra fez parte da turma de 2021 da Capacitação em Suicidologia Prevenção, Posvenção e Políticas Públicas do IPPES. Segundo ela, “uma iniciativa como essa era necessária há muito tempo, mas agora se faz mais urgente. A pandemia veio para agravar o quadro de sofrimento psíquico da população, que já era preocupante. O IPPES desponta como um lugar em que as pessoas podem procurar ajuda com segurança”.

Sara Santos Dias da Silva, psicóloga que atua na Rede, conta que já fazia intervenções de prevenção e posvenção do suicídio e que tomou conhecimento da iniciativa através do grupo de estudos que participa no IPPES. A psicóloga avalia que, no Rio de Janeiro, “o único instituto que tem essa preocupação de cuidar do outro, de preservar a vida e de ter um olhar ativo e uma escuta qualificada é o IPPES”. Moradora da Zona Norte, ela revela que “é bom ver que aqui na minha região existe um instituto sério e que se importa com a temática. Não se pode falar e pensar no suicídio só no Setembro Amarelo. O ser humano adoece e tem suas questões o ano inteiro”.

A Rede EQUIPPES de Saúde Mental já está em atividade. Preencha o formulário e tenha acesso aos serviços clicando aqui.