IPPES no Canal Saúde da Fiocruz. Confira!

 

O Canal Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) dedicou um programa a refletir sobre o tema da prevenção do suicídio no Brasil. A psicóloga e colaboradora do Instituto de Pesquisa, Prevenção e Estudos em Suicídio (IPPES), Daniely Vieira, participou do programa compartilhando sua experiência e falando sobre a importância da prevenção ao suicídio e de acolher quem sofre.

O programa Sala de Convidados abriu a reflexão trazendo números que revelam que o Brasil registra entre 14 e 15 mil e quinhentas mortes por suicídio todos os anos. Segundo a Fiocruz, o dado preocupa especialistas porque caminha na contramão do cenário global: enquanto diversos países registram queda nos índices de suicídio, as Américas apresentam aumento constante nas taxas de mortalidade ao longo das últimas duas décadas.

A apresentadora Bárbara Pereira iniciou a conversa perguntando ao coordenador do Centro de Valorização da Vida do Rio de Janeiro (CVV-RJ), Alan Lima, porque é importante falar sobre a prevenção ao suicídio.

“Falar é uma forma de quebrar tabus e estigmas, é fundamental a gente poder falar sobre a prevenção do suicídio. Quebrando esses estigmas a gente favorece o cuidado para as pessoas que mais precisam”, disse Alan Lima.

Os dados trazidos pela Fiocruz no programa propondo o debate com os convidados também revelam um recorte de gênero marcante: homens morrem mais, enquanto as mulheres registram mais tentativas. A psicóloga do IPPES, Daniely Vieira, complementou a reflexão sobre a importância de se quebrar o tabu sobre o tema.

“Um dos mitos do suicídio é o de que falar sobre poderia incitar tentativas e mortes por suicídio, mas hoje temos certeza que falar é muito importante. Precisa ser uma comunicação responsável, mas precisamos falar e quebrar os paradigmas e estimular a prevenção de saúde”, afirmou Daniely.

O psiquiatra e professor titular do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rogério Panizzutti, destacou que em algumas situações o constrangimento de falar sobre o tema pode ser prejudicial.

“É muito importante que seja visto como um trabalho da sociedade de colocar o tema como algo que pode acontecer e que pode ser cuidado. A promoção da saúde mental como um todo ainda é um desafio, mas já vejo progressos em como abordados hoje em dia e promovemos o acesso e cuidado com a saúde mental”, explicou Rogério Panizutti.

O programa destacou ainda como a prevenção do suicídio exigem que a sociedade tenha ações e observações de apoio para quem esteja em sofrimento. A psiquiatra Esther Spiler, colaboradora e associada ao IPPES, também participou do programa dando uma entrevista abordando os fatores sociais e psicológicos que podem levar uma pessoa a uma situação de crise.

“Apesar de os números totais estarem diminuindo lentamente ao longo dos anos, ainda é prevalente o crescimento em alguns públicos como, por exemplo, na população LGBTQIAPN+, na população do sistema carcerário e indígenas. Nos jovens, ainda é a segunda causa de morte na faixa etária de 15 a 19 anos. Talvez essa população ainda não saiba estar pedindo ajuda e a falta de apoio e rede social ainda interferem”, explicou Esther Spiler.

O programa também alertou para possíveis sinais e mudanças de comportamento e como menosprezá-los é um risco. Diante desse quadro, a lei 15.199/2025 oficializou o dia 10 de setembro como Dia Mundial de Prevenção do Suicídio – data em que o programa foi exibido ao vivo no Canal Saúde.

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