A pesquisa, realizada com policiais militares lotados no interior Rio Grande do Sul, em 2016, busca compreender os fatores que determinam vivências de prazer e sofrimento no cotidiano destes profissionais. Para isso, as pesquisadoras aplicaram questionários sociodemográficos e realizaram entrevistas semiestruturadas com dez policiais militares. A análise dos discursos permitiu concluir que as principais causas de sofrimento são o fardamento desconfortável e o descontentamento com o quadro de funcionários. Já o sentimento de prazer foi relacionado à autonomia no atendimento às ocorrências. A pesquisa verificou que os policiais militares costumam adotar certas estratégias de defesa com o objetivo de amenizar o sofrimento derivado do trabalho, destacam-se: resiliência, práticas de sublimação e a não verbalização do sofrimento. Esta última defesa é sustentada, segundo as pesquisadoras, pelo recurso simbólico da virilidade, bastante difundido pelo imaginário cultural gaúcho.