O objetivo do artigo é discutir as consequências do distanciamento social no relacionamento interpessoal, sobretudo entre parceiros íntimos e entre pais e filhos. A partir de revisão sobre o tema na internet e nas principais mídias sociais, os pesquisadores perceberam que o aumento da violência contra a mulher e contra a criança e o adolescente, durante o período de distanciamento social tem sido notado em diversos países. No Brasil, segundo dados do ‘Ligue 180’ (disponibilizados pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) houve um aumento de cerca de 17% no número de ligações com denúncias de violência contra a mulher ao longo do mês de março. De acordo com os pesquisadores, as restrições de movimento, limitações financeiras e insegurança generalizada encorajam os abusadores à prática da violência. Na dimensão individual, o aumento do nível de estresse do agressor por medo de adoecer, a incerteza do futuro e a iminência de redução de renda podem agravar ainda mais as ocorrências de violência. Além disso, a busca por ajuda e proteção está prejudicada devido à interrupção ou redução das atividades em igrejas, creches, escolas e serviços de proteção social. Em relação às repercussões da COVID-19 para o aumento do risco de violência contra crianças e adolescentes, os pesquisadores chamam atenção para o funcionamento parcial de muitos serviços de defesa dos direitos deste setor da população. Por fim, o artigo reforça a necessidade de ações de enfrentamento das violências contra mulheres, crianças e adolescentes e apresenta pontos fundamentais que podem gerar prevenção e auxílio destes casos.