Quais são as representações da imprensa acerca da milícia no contexto da Covid-19? Como são retratados os relatos da população sobre esses grupos criminais? Responder a esses questionamentos é o objetivo principal do artigo de Thais Duarte e Ludmila Ribeiro. A partir de um mapeamento das matérias publicadas no jornal Extra e na plataforma de notícias G1, entre março e maio de 2020, as autoras coletaram matérias jornalísticas que relatam o modus operandi das milícias. De acordo com a pesquisa, é possível perceber duas linhas (ambivalentes) de descrição da ação de milicianos no atual contexto de pandemia. Por um lado, observa-se o tratamento desses grupos como algozes, que obrigam os comerciantes a romper com a quarentena para que tenham recursos e possam pagar sua “taxa de segurança”, e, por outro lado, as pesquisadoras notaram o tratamento do grupo como salvadores, que teriam decretado o toque de recolher aos moradores e com isso, contribuído para a diminuição dos riscos de infecção do vírus. Ainda segundo o artigo, as milícias têm enxergado na pandemia de Covid-19 uma boa oportunidade para ampliar seu domínio, aproveitando as violações contínuas de direitos cometidas pelo Estado em área periféricas. Assim, os locais marcados pela deficiência de políticas publicas, como as de saúde, de segurança e de educação, têm sido o foco dos milicianos.