O contexto de imprevisibilidade consequente da pandemia de Covid-19 não só tem contribuído para o aumento do sofrimento psíquico da população como também acarretou mudanças de hábitos, costumes e novas maneiras de lidar com o luto. Neste texto, os autores buscam refletir sobre como os impactos nos rituais de morte tendem a produzir consequências negativas nas esferas biopsicossociais dos indivíduos em luto. De acordo com os autores, o processo natural de luto envolve oportunidade de aprender, transformar-se e desenvolver o chamado “crescimento traumático”. Entretanto, no cenário atual de pandemia, a premissa de crescimento emocional não tem sido uma realidade, visto que a impossibilidade da proximidade física, apertos de mãos e abraços (traços fundamentais na cultura brasileira) potencializam a angustia e o sentimento de culpa. Nas palavras dos autores, “é alarmante observar uma perda no espaço destinado à vivencia da dor e da elaboração das perdas, sendo preocupante a medicalização crescente de fenômenos naturais da vida, como considerar, arbitrariamente, o luto normal como uma categoria patológica, ressignificando eventos normais sova ótica biomédica”. ( ALVES,Aline et al. 2021, p. 2)