O artigo busca apresentar o conceito de vitimização profissional e analisar de que forma esse fenômeno acarreta prejuízos tanto para os profissionais de segurança pública quanto para suas famílias, corporações e a sociedade em geral. Ao analisar informações de fontes como as Secretarias Estaduais de Segurança Pública e Defesa Social, o Sistema Nacional de Estatísticas em Segurança Pública e Justiça Criminal, foram coletados dados dos 26 Estados brasileiros e do Distrito Federal para o período de 2000 a 2012. Foram registrados 901 óbitos de policias militares em serviço entre 2000 e 2012, entre os quais 202 (22,4%) ocorreram nos últimos três anos. A taxa de vitimização nesses últimos três anos foi de 143,30/100.000. De acordo com as autoras, o conceito de “vitimização profissional” diz respeito aos agentes de segurança pública que morrem ou sofrem agravos físicos e emocionais em decorrência do exercício de sua profissão. A pesquisa aponta que algumas situações agravam a vulnerabilidade dos policiais, são elas: treinamento para o confronto, inadequadas condições de trabalho, precariedade das viaturas e entre outros. Um dado chama atenção na pesquisa: morrem mais policiais nas folgas do que em serviço. Para o conjunto do país foram informados mais de 802 óbitos de policias militares fora de seu horário de serviço, entre os quais 535 (66,7%) perderam a vida nos últimos três anos. Ainda segundo a pesquisa, a negação do perigo por considerar que medo, ansiedade e choro são manifestações de fraqueza, o desenvolvimento de sintomas depressivos e o sentimento de urgência da vida são atitudes ligadas à vitimização dos agentes. Neste sentido, a prevenção e antecipação dos efeitos da vitimização com cuidados especializados são de extrema importância para a reversão do quadro citado.