Vamos fazer de tudo para mudar esta realidade’, diz presidente do IPPES ao lançar programa de prevenção de suicídio de agentes de segurança 8

 

Para Dayse Miranda, ‘é direito de todo agente de segurança ter saúde mental como política pública’. Evento com 200 pessoas teve presença de parceiros e da PM  

O lançamento do Programa de Segurança Q Previne uniu mais de 200 profissionais de segurança pública e especialistas na luta pela prevenção de suicídios de agentes no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28), na Cidade da Polícia. O “1º Encontro sobre Saúde Mental e Autocuidado na Segurança Pública” celebrou o início do programa do IPPES (Instituto de Pesquisa, Prevenção e Estudos em Suicídio), que faz parte de um projeto maior, desenvolvido de forma integrada com o Ministério Público do Trabalho, a Secretaria de Estado de Polícia Civil (SEPOL), a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), o Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) e outros parceiros, como a PUC-Rio e o Hospital São Francisco na Providência de Deus. Participaram ainda representantes da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. 

O Segurança QPrevine tem como objetivo promover a saúde mental e valorizar a vida de agentes de segurança no Rio de Janeiro. Suicídios nesse grupo de profissionais aumentaram 150% entre 2019 e 2021, de seis para 15 casos, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública – houve 101 casos nas forças de segurança do país em 2021.

“Vamos fazer de tudo para mudar essa realidade, e este momento significa o início da mudança. Policiais me ensinaram o quanto amam suas profissões. Eu pensava que o policial estava doente e não gostava da profissão; pelo contrário, ele ama e quer continuar servindo. É preciso que as instituições acolham essas pessoas”, afirmou Dayse Miranda, presidente do IPPES. “É o direito de cada trabalhador de segurança pública à promoção da saúde mental como política pública. Saio daqui feliz porque estou comprometida e todos aqui também estão.”

O subsecretário de Gestão Administrativa da Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Tarcísio Andreas Jansen, também se comprometeu. “É de extrema importância que nós, gestores, tenhamos um olhar para a saúde mental do policial. É muito difícil, as pressões e as respostas que a sociedade nos exige, às vezes, são muito aceleradas. Que podemos ter esse olhar especial para o policial com dificuldade emocional.”

O vice-procurador-chefe do MPT no Rio, Fabio Villela, lembrou ser comum o policial não enxergar como “trabalhador”. “São trabalhadores que se deparam com situações de risco e mazelas, de forma cotidiana, e merecem um olhar cuidadoso dos órgãos, do Estado e da sociedade”, declarou. Segundo Villela, o papel do MPT no programa não é de controle externo ou fiscalização, mas de apoio. “Estamos juntos com nossos parceiros promovendo uma união, uma rede ampla, integrada e articulada, para que todos nós possamos ajudar.”

Ações do programa 

Por meio da Segurança QPrevine, o IPPES vai implementar pesquisa de diagnóstico, formação na prevenção e posvenção de suicídio para agentes da Polícia Civil, Seap e Degase. Oferece oficinas de autocuidado e de gestão humana para lideranças, agentes internos e operacionais, destacando a importância da saúde mental na segurança pública, além de rodas de conversa com multiplicadores de prevenção ao suicídio. O objetivo final é que as instituições, com mentoria do IPPES, aprimorem ações próprias de prevenção ao suicídio. As ações do Programa poderão igualmente ser disponibilizadas às demais Corporações tratadas na Lei Estadual n.º7.883/2018 que vierem a manifestar interesse em firmar acordo de cooperação técnica com o Ministério Público do Trabalho. 

Para a procuradora do Ministério Público do Trabalho Cynthia Lopes, o evento foi a “concretização do que o MPT, o IPPES, as corporações, o Hospital São Francisco na Providência de Deus e a PUC desejam a garantia da saúde mental nos profissionais que amam suas profissões e que eles possam praticar com alegria. O trabalho deve ser fonte de satisfação, realização e não de adoecimento”. Após esse marco na articulação entre os órgãos, segundo a também procuradora do MPT Samira Shaat, “agora é tocar o projeto. O principal foi a integração, todos no mesmo ambiente falando deste assunto tão importante.”

O lançamento do programa contou ainda com a secretária do Estado de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (SEAP), Maria Rosa Nebel; o diretor do Degase, delegado federal Victor Hugo Poubel; o diretor da Policlínica José da Costa Moreira, João Marcello Branco de Souza; o diretor do Hospital São Francisco na Providência de Deus, Frei Isaac Prudêncio, e o professor de Psicologia da PUC-Rio, Jesus Landeira Fernandez .