
IPPES no Canal Saúde da Fiocruz. Confira!
O Canal Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) dedicou um pro...
Leia maisEm 2025, houve queda no total nacional de suicídios, mas o cenário pode variar entre instituições, aponta boletim anual produzido pelo IPPES. Já os homicídios e feminicídios seguidos de suicídio chegaram ao maior número da série histórica.

No último ano, 148 profissionais de segurança pública da ativa morreram por suicídio ou em casos de homicídio ou feminicídio seguidos de suicídio no Brasil, segundo dados oficiais reunidos pelo Instituto de Pesquisa, Prevenção e Estudos em Suicídio (IPPES). O número caiu em relação ao ano anterior, principalmente em razão da redução das mortes entre policiais militares. Os dados foram divulgados no boletim anual do IPPES, produzido com apoio do Ministério Público do Trabalho no Estado do Rio de Janeiro (MPT-RJ).
De acordo com os dados oficiais reunidos pelo instituto, entre 2020 e 2025, ao menos 1.019 profissionais de segurança pública da ativa morreram por suicídio ou em ocorrências de homicídio ou feminicídio seguidas de suicídio. Desse total, 970 foram registrados como suicídios e 49 como homicídios ou feminicídios seguidos de suicídio.
O boletim também contabiliza mortes entre profissionais inativos. Nesse grupo, foram registradas 307 mortes no mesmo período: 300 suicídios e sete casos de homicídios ou feminicídios seguidos de suicídio. Além das mortes, as instituições registraram 2.109 tentativas de suicídio entre profissionais ativos e inativos de 2020 a 2025. A Polícia Militar concentrou a maior parte dos registros, com 1.658 casos.
Esta é a oitava edição do levantamento, que reúne dados de profissionais dos Corpos de Bombeiros Militares estaduais, das Polícias Civis e dos órgãos estaduais de Perícia Técnica, das Polícias Militares e Penais estaduais, das Guardas Municipais, das Forças Federais e das Forças Armadas. Estas últimas, que incluem o Exército Brasileiro, a Força Aérea Brasileira e a Marinha do Brasil, foram incorporadas nesta edição, ampliando o alcance da pesquisa.
O levantamento busca ampliar o conhecimento sobre o problema e fornecer subsídios para a criação de políticas de prevenção. Pelo terceiro ano consecutivo, o suicídio foi a principal causa de morte entre policiais civis e militares da ativa no país, de acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Ao reunir e analisar esses dados, o IPPES pretende contribuir para que as instituições desenvolvam estratégias de promoção da saúde mental e valorização da vida.
Para a socióloga e presidente do IPPES, Dayse Miranda, a produção de conhecimento sobre o tema também é uma forma de enfrentar a falta de reconhecimento institucional do problema. “O boletim se compromete em dar visibilidade a um problema que, quando nós começamos a estudar, não existia. Não existia enquanto fenômeno acadêmico e muito menos político. Nós estamos falando de um problema institucional, social, político e acadêmico.”, explica.
Além dos dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), o IPPES utiliza fontes extra oficiais, como notícias publicadas pela imprensa, para compor o boletim anual. Esses registros permitem identificar informações que nem sempre estão disponíveis nos dados oficiais, como o instrumento utilizado nas mortes. Ao longo da série histórica, a arma de fogo aparece como o meio mais utilizado nos casos de suicídio entre profissionais de segurança pública. Para o instituto, o dado reforça a importância de discutir o acesso a armas de fogo como parte das estratégias de prevenção. “Nós estamos falando de um fenômeno em que o fácil acesso à arma de fogo facilita esse tipo de morte”, destaca Dayse.
Outro dado que chama a atenção é o número de homicídios e feminicídios seguidos de suicídio. Assim como no ano anterior, 2025 registrou o maior número de casos da série histórica extraoficial, com 20 ocorrências. Fernanda Cruz, coordenadora do boletim, ressalta a importância de diferenciar esses episódios dos casos de suicídio, já que as medidas de prevenção são distintas.
“Isso passa muito batido nos dados oficiais, porque as instituições só registram uma morte. A gente precisa que o caso seja categorizado dessa forma, para saber que envolve mais de uma morte e exige outras estratégias de prevenção. Afinal, a gente vê, por exemplo, a existência da violência doméstica nesses casos”, destaca.
Forças Armadas entram no levantamento
A inclusão das Forças Armadas é uma das novidades do Boletim IPPES 2026. Entre 2020 e 2025, foram registradas 69 mortes por suicídio e 203 tentativas de suicídio entre militares da Marinha e da Força Aérea Brasileira (FAB). Os dados não incluem o Exército Brasileiro, que se recusou a fornecer informações para o levantamento. Registros extraoficiais também chamaram a atenção para casos envolvendo militares com pouco tempo de carreira, por vezes inferior a um ano. O cenário reforça a importância de desenvolver estratégias de prevenção desde o início da trajetória profissional.
“Acredito que o boletim deste ano abra as portas para que as instituições que ainda não querem dialogar sobre o problema possam se aproximar, para que a gente construa, juntos, respostas institucionais responsáveis pela promoção da saúde e do bem-estar de seus servidores”, afirma Dayse.
O boletim integra as ações do SegurançaQPrevine, iniciativa do IPPES, dentro da proposta do Programa de Assistência Ampla e Integrada à Saúde Mental e Valorização dos Agentes de Segurança Pública do Estado e Município do Rio de Janeiro do Ministério Público do Trabalho. Para a promotora Cynthia Simões Lopes, os dados ajudam a direcionar a atenção e a embasar medidas institucionais. “O boletim traz uma luz para onde merece o olhar, porque ali pode estar o sofrimento. São dados que propiciam políticas mais eficazes.”, afirma.
A promotora Samira Shaat, por sua vez, destaca a importância do levantamento para a formulação de políticas públicas. “O boletim é o passo inicial para produzir indicadores que demonstrem a necessidade de uma política pública de enfrentamento desse adoecimento. Ele coloca um holofote no problema. É o primeiro trabalho que analisa a questão no país inteiro.”, afirma.
Onde buscar ajuda
Se você está passando por um momento difícil ou conhece alguém que precisa de apoio, procure ajuda. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, pelo telefone 188 ou pelo site https://cvv.org.br.

O Canal Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) dedicou um pro...
Leia mais
Ação social de suporte psicossocial é oferecida gratuitamente pelo IPP...
Leia mais
O Instituto de Pesquisa, Prevenção e Estudos em Suicídio (IPPES) parti...
Leia mais